Diálogos de cinema & cultura audiovisual por mulheres realizadoras Diálogos de cinema & cultura audiovisual por mulheres realizadoras

Verberenas 04

A edição 04 do Verberenas começa a ser publicada em junho de 2019 com quatro textos, aos quais serão acrescentados mais dois ao longo das próximas semanas.

Pensar em cinema, em especial no cinema brasileiro, sem que acabemos pensando também no desmantelamento de políticas públicas e culturais e nos sonhos e empregos de tantas pessoas, tem sido tarefa difícil. É desanimador, mas o desânimo é um sentimento que nos paralisa. Temos pensado, desde edições passadas, em como podemos nos mover.

O momento é desafiador, mas podemos e devemos continuar. Criamos e fazemos parte de um espaço do qual não podemos mais abrir mão, quaisquer que sejam as intempéries. Somos mulheres realizadoras, criadoras, pensadoras. Somos parte de uma rede que torna o “cinema” a soma dos filmes, da crítica, das curadorias, do público.

Nesta edição, nossas vozes dialogam a partir desses diversos lugares. Através da crítica de Manuela Andrade sobre Mala Junta, conhecemos o filme de uma diretora mapuche, Claudia Huaquimilla, que expõe a vulnerabilidade, mas também a resistência de seu povo no presente. A cineasta Ana Luíza Meneses aqui fala do ponto de vista de uma empolgada espectadora sobre Fabiana, de Brunna Laboissière, e sobre a emoção de ver uma mulher cair na estrada. Glênis Cardoso, uma das editoras do Verberenas, entrega um texto confessional sobre filmes, comida e aprendizagens afetivas através da arte. Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro escrevem sobre o filme que realizaram juntas, Teko Haxy – ser imperfeita, e nos revelam com delicadeza as possibilidades de conexão entre uma mulher branca e uma mulher indígena. A capa dessa edição, Jaexá va’e jo hete re – O corpo que enxergamos (2017), também é de autoria de Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Sophia Pinheiro.

Em comum, as críticas e ensaios desta edição direcionam nosso olhar para o belo, o afetivo, o possível, ainda que diante de variados abismos. Diante do desafio de viver o presente, escolhemos continuar nos conectando. Quando e como pudermos, continuaremos a nos mover, entre imagens, sons e palavras, em busca do mundo em que queremos viver.

Editoras
Letícia, Karine e Glênis

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